Polícia investiga se Ronnie Lessa, preso por morte de Marielle, é traficante de armas


Agentes apreenderam 117 fuzis 'piratas' incompletos que seriam do PM reformado preso pelos tiros que mataram a vereadora e seu motorista. As armas, que são cópias, seriam vendidas a criminosos, segundo investigadores.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga se o policial reformado Ronnie Lessa, de 48 anos, é traficante de armas. Lessa, de acordo com o Ministério Público estadual, figura em investigações sobre homicídios praticados sob o patrocínio da contravenção.

Apesar disso, o suspeito de atirar e matar a vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes, preso na terça-feira (12), não responde a inquéritos na polícia do RJ.

Sargento reformado após uma explosão em que ele perdeu a perna, Ronnie Lessa recebe uma aposentadoria de R$ 8 mil. O policial mora em um condomínio diante da praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, e tem carros de luxo.

"Podemos afirmar que existem investigações de homicídios ligadas à contravenção em que ele figura como suspeito", afirma a promotora Simone Sibílio, do Grupo de Apoio e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP-RJ.

De acordo com a promotora, o nome de Lessa já havia aparecido em outras investigações. "Quem atua no mundo do crime e quem investiga crimes de homicídio pode dizer que o nome dele [Lessa] já surgiu em relação a alguns outros homicídios mercenários, sim", explica a promotora.

A polícia já descobriu que os 117 fuzis incompletos apreendidos na casa de um amigo de Ronnie Lessa são cópias que seriam vendidas a criminosos. É um armamento falsificado, mas novo. São cópias do M-16, modelo criado nos Estados Unidos e hoje fabricado em várias partes do mundo. É de uso restrito.

As amas encontradas pela polícia ainda estavam sem o cano, parte do carregador e sem o mecanismo de disparo. Nesta quarta-feira (13), a polícia apreendeu uma mesa e equipamentos usados na montagem de fuzis. Completos, os fuzis teriam o mesmo poder de fogo dos originais.

"Você vai ter uma capacidade de carregador entre 30, 40 tiros, um alcance máximo em que esse projétil pode chegar, ele pode chegar a 2 quilômetros. Então, a gente tem a partir do lançamento uma trajetória balística em que ele pode atingir. A bala perdida pode chegar a dois quilômetros", explicou Vinícius Cavalcante, especialista em armas.

Segundo Cavalcante, o poderio das armas é grande.

"Em termos de energia, você vai colocar três daqueles tijolos, aqueles tijolos de cerâmica vermelho vazados e você vai conseguir penetrá-los", explica.

Alexandre Mota, dono do apartamento onde estavam os fuzis incompletos, foi preso acusado de tráfico de armas. A polícia afirma que as armas são de Ronnie Lessa.

As investigações apontam que Lessa fornecia armas para quem chegasse com dinheiro. Podia ser milícia, narcotráfico ou contravenção.

"Qualquer tipo de organização criminosa que demandasse o uso ou a aquisição daquele tipo de armamento conseguia encontrar com o Ronnie Lessa, mediante obviamente o pagamento", afirmou o delegado Marcos Amin.